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UM JOVEM TALENTO DA ARTE MILENAR


Buscar histórias de motivação muitas vezes acaba envolvendo a descoberta de talentos. E não foi diferente ao encontrarmos Wei Lun Ha, um chinês de 24 anos que descobriu cedo seu talento, a arte da pintura chinesa (Chinese Painting).


Foi durante as comemorações do ano novo chinês, em nossa passagem por Auckland, Nova Zelândia, que nos deparamos com um tipo de arte muito interessante e profundo, um estilo chamado Lingnan. Na mesma mesa em que vários anciãos ocupavam seus lugares para fazerem suas pinturas, Wei estava lá! Descobrimos que é um dos mais jovens pintores da tradicional pintura chinesa fora da China. Em 2007 houve uma conferência de pintores, em Guangzhou (China) em que Wei era o mais jovem entre todos os presentes.


Resolvemos então perguntar a Wei o que o motivava a pintar um tipo de arte tão rara e tão complexa nos dias de hoje. Wei nos respondeu que três coisas o motivavam a pintar. A primeira era fazer aquilo apenas como hobby, apesar de confessar que seu sonho era ser reconhecido nessa arte, pois também estuda arquitetura na Universidade de Auckland e em breve pretende começar a trabalhar nessa área sem largar a pintura. A segunda, era sua vontade de ir para a China e observar a arte tradicional e as paisagens, dessa forma a pintura acaba lhe trazendo conhecimento e bagagem. E o terceiro motivo pelo qual perpetua e desenvolve essa arte é a recuperação de sua identidade cultural, se aproximar de suas raízes e entender suas origens. Wei diz que sente vergonha quando é questionado sobre sua cultura e não sabe responder.



Se traçarmos um paralelo com a cultura helênica, a qual inspirou nossa volta ao mundo, notamos semelhanças com o chamado “Caminho do Herói” no qual que se busca o verdadeiro sentido da existência. E curiosamente Wei faz o mesmo, quando tentar resgatar suas origens, pois é necessário saber de onde vem e quem é para descobrir pra onde ir.


Seu talento começou cedo, apenas com 12 anos já adorava desenhar, o que continuou até o período da faculdade. Mas somente conseguiu revelá-lo após encontrar seu mestre, Thomas Li, o qual ensinou a Wei as verdadeiras filosofias por trás da arte da pintura.


Há 6 anos Wei conheceu seu mestre no casamento de uns amigos, Li parecia um homem de negócios, deu seu cartão a Wei e disse para ele comparecer em seu escritório no dia seguinte levando seus desenhos. Wei achava que era um bom pintor, mas logo no primeiro encontro com o mestre Li apontou diversas falhas e erros nos seus desenhos e disse a Wei que não perdesse seu tempo e nem o dinheiro de seus pais com a pintura. Mas Wei foi teimoso, acreditou em si e se dedicou muito nas semanas seguintes pois queria provar ao professor que merecia ser seu aluno, e assim o foi, Thomas Li o aceitou como aluno, pela mais pura “Meritocracia”, outro pilar da educação arcaica, em que os esforços são reconhecidos e recompensados, certamente estimulando a motivação de Wei a continuar a desenvolver-se na pintura.



A pintura lhe dá prazer, e Wei tenta fazer algum dinheiro com ela enquanto termina seus estudos. Entretanto esse não é seu único talento, o garoto se dedica à arte dos Origamis, às artes marciais (Chen e Aikido) e faz também Cabeças de Leões para uma tradicional dança chinesa.



Dias de nossa conversa, Wei nos mandou um e-mail de agradecimento dizendo que tinha sido muito boa a experiência de conversar com agente, que o tinha feito pensar sobre a espiritualidade de sua arte, podendo entender melhor seu próprio talento. Às vezes as pessoas precisam apenas da oportunidade de serem ouvidas, percebemos em Wei uma empolgação gigante ao nos contar sua história, seja qual for a pessoa, seja qual for o talento, devemos permitir o direito de existir.


Texto: Danilo España | Galeria: Wei Lun Ha.


Alguns meses depois de termos publicado essa matéria Wei nos envia um outro email. Dizendo que estava se profissionalizando na pintura, que havia conquistado prêmios e sua pintura ultrapassava os limites do papel. Começara a pintar grande murais, paredes, objetos, etc. Nos contou que criou um website de seu trabalho e que era extremamente grato pro termos ajudado a despertar para a importância da sua própria arte, do seu próprio talento e que estava realizado. Foi uma surpresa e tanto, receber essa mensagem. Isso reafirmou para nós que para revelar pontos luminosos basta darmos valor ao que os outros fazem de melhor e reconhecer seus méritos.




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