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CASAMENTO À MODA INDIANA


Esses dias publiquei a foto acima no facebook contando algumas curiosidades sobre o casamento na Índia e vários comentários bacanas surgiram, resolvi escrever essa matéria com mais detalhes pois o tema casamento motiva mesmo muita gente, principalmente os indianos!


O primeiro contato que tivemos com essa tradição foi em Nova Déli. Um belo dia lá pelas tantas da noite fomos despertados por um estrondo seguido de uma super algazarra. Levamos um baita susto pois tínhamos acabado de dormir e naquela semana as relações entre a Índia e o Paquistão estavam bemmm tensas, pensamos no pior e colamos na janela para ver o que estava acontecendo.



Graças a Deus não era nenhuma manifestação política, atentado ou coisa parecida, o que vimos foi uma cinematográfica carruagem branca, puxada por um cavalo igualmente branco desfilando pelas ruas da cidade. Sob a carruagem um cidadão extrenamente ornado e munido de um belo turbante, acenava para a multidão que o seguia em forma de procissão gritando, dançando e batucando muito alto vários tipos de instrumentos. Bom gente, pra resumir o fulano era um noivo em um dos vários rituais que envolvem o casamento indiano e na multidão amigos, familiares e transeuntes comemoravam o acontecimento.


Foto tirada da janela do nosso hotel em Nova Déli no meio da madrugada.


Na Índia os casamentos são grandes festas de vários dias de celebração, com muita música, dança, rituais e comilança que podem durar de 3 a 7 dias dependendo da condição financeira das famílias.

Para os indianos a noção de casamento é muito diferente da nossa, lá não se espera o maior amor do mundo e sim um companheiro(a) para viver a vida. A noção de família também é outra, os noivos literalmente casam-se com suas respectivas famílias, que passam a ser super participativas no dia a dia do casal, a privacidade é algo pouco praticado entre os indianos!


Hoje em dia ainda é muitíssimo comum casais serem unidos pelos familiares que analisam as personalidades dos pretendentes e caso acordem que fazem um “bom” par, aproximam os pombinhos. Pra nós isso parece estranho, mas para os indianos é mais do que comum e parece que essa tradição funciona mesmo pois os casamentos duram uma eternidade. Muito difícil encontrar casais infelizes em suas relações, difícil também encontrar pessoas com mais de 25 anos sem estarem casadas, “… se não escolhemos uma parceira por livre e espontânea vontade, nossos pais rapidamente encontram por nós!!”, disse rindo um indiano que entrevistamos, aliás ele nos confessou que sua maior motivação é encontrar alguém especial para dividir a vida.



Mais uma curiosidade interessante… um amigo indiano que vive no Brasil me contou certa vez que até hoje as famílias que propõe os casamentos arranjados usam uma “técnica” super antiga: analisam e cruzam o mapa astral dos pretendentes antes de apresentá-los. Meu amigo garantiu de pé junto que essa técnica é infalível! Antigamente nos casamentos arranjados os noivos apenas se conheciam no dia da cerimônia, mas hoje as coisas já evoluíram bastante o casal tem a chance de se conhecer antes de noivar.


Falamos também com um casal de indianos que vive nos EUA e eles foram “arranjados” por seus pais, estão juntos faz mais de 40 anos e dizem estar “felicíssimos”. “Nossos pais nos conhecem melhor do que nós mesmos e no fundo sabem o que é bom pra nós”, disseram. Já a filha mais nova desse casal tinha acabado de casar-se com um americano, mas pelo visto os pais estavam bem felizes pela escolha da própria filha.



Legal lembrar que na Índia geralmente os casamentos só podem acontecer dentro da mesma casta social. Aí está um problema, pois aqueles de castas menos abastadas muitas vezes tem dificuldade de encontrar uma parceira por falta de condição financeira, não sendo “aprovados” pelos pais da pretendente. Conhecemos em Nova Déli um rapaz super simpático que disse ser pouco provável encontrar uma pretendente pois não tinha recursos financeiros suficientes para casar; trabalhava muito e ganhava pouco, além de estar preso à uma casta que não o possibilitava subir na vida. Seu maior sonho era encontrar uma esposa mas sabia que seria “…um sonho quase impossível para essa encarnação…”, disse ele com os olhos tristes. Como pra toda regra existe a exceção, ficamos na torcida pois o cara era muito bacana!


E pra encerrar li num blog que ao contrário do Brasil, os jovens não curtem muito ir à festas de casamento pois as consideram muitoooo longas e cheias de rituais simbólicos. Para os bem jovens pode não ser uma grande curtição, mas com certeza pra família e pros noivos é algo super motivador e inesquecível.



Obs:

A foto de abertura desse post não foi tirada na Índia e sim em Cingapura, num bairro chamado de Little India por ser quase que 100% habitado por indianos, uma das maiores colônias de Cingapura. Esse bairro é uma das atrações turísticas do local pois os habitantes preservam a sua cultura local através do colorido, dos restaurantes típicos, lojas, música, templos, vestuários e modo de vida. A única grande diferença que pudemos notar entre o Little Índia e a Índia é que em Cingapura tudo é super limpo, bem diferente da realidade no país de origem.

Pra quem tiver curiosidade de conhecer um dos rituais de casamento comuns no centro da Turquia, aqui vai o link para um vídeo que fizemos quando estivemos em Goreme.


Por Luah Galvão

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